sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

O sussurrar da voz, junto ao ouvido,

Soa como notas, repercutindo na pele.

Sedenta, desejosa e carente do toque de mãos

Ávidas a percorrer os seus contornos

Amor desejado, paixão incontida.

Respirações que revelam o desejo crescente.

No encontro das bocas, sedentas, a união de almas

Que já não suportam a distancia

E suplicam por momentos de prazer

O calor dos corpos incendeia e atormenta.

Convida à dança que só conhecem os amantes.

Embalada pela música dos gemidos em uníssono,

Transformados em fúria de querer sentir.

Nesse arroubo de puro êxtase,

Aromas e gostos transbordam dos corpos

Cada vez mais desejosos de tornar-se, apenas

Um só, único, em perfeita sintonia

De sentimentos e pensamentos,

Dispensando as palavras.

Nas curvas dos dois o encaixe é perfeito,

Como partes de uma mesma escultura.

Obra prima de um artista atemporal,

Separadas um dia por mãos invisíveis

De deuses invejosos, impiedosamente.

É o reencontro de corpos que desejam

Compor a beleza de um conjunto harmônico.

Rompendo barreiras, derrubando mitos.

Voltando ao seu significado de magia e encanto.

No auge pleno dos sentidos

Um turbilhão de ondas os envolve.

Invade a alma e deixa marcas

Profundas, deliciosas cicatrizes,

Na alma dos dois sobreviventes

De uma tempestade de sentimentos

Que alguém jamais sonhou provar.

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