"A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. O fim de uma viagem é apenas o começo de outra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na primavera o que se vira no verão, ver de dia o que se viu de noite, com o sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para repetir e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre".
José Saramago
"O amor, pensava, devia chegar de repente com grande estrondo e fulgurações – furacão dos céus que cai sobre a vida, transtornando-a, arranca as vontades como folhas e arrasta para o abismo o coração inteiro. Ela não sabia que no terraço das casas a chuva faz lagos quando as calhas estão entupidas e permaneceu assim em sua segurança, quando descobriu subitamente uma fenda no muro”.
Gustav Flaubert - Madame Bovary .
"Pois bem, suavemente, um dia empurrando o outro, uma primavera após um inverno e um outono depois de um verão, tudo deslizou pouco a pouco, pedacinho por pedacinho; foi embora, partiu, desceu, quero dizer, pois sempre resta alguma coisa no fundo, assim como… um peso, aqui no peito!“
Gustav Flaubert - Madame Bovary.
De todas as coisa que Julián escreveu, aquela que sempre me pareceu mais próxima é a que diz que, enquanto os outros se lembram de nós, continuamos vivos”.
Zafón, C. R. - A sombra do vento. p.366
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