'Guardada em mim mesma. Ali, contando nos dedos minhas miudezas, dando nomes, medindo gestos, buscando maneiras novas de me esconder. Ultimamente é ali dentro que a vida vai, e quase ninguém vê.
Ultimamente eu ando cheia de fé.
Tenho me emocionado com facilidade, também. Tudo tão naturalmente, o tempo todo. Vida, vida.
Fuço distâncias, sem deixar doer. Falo de sentimentos de um jeito muito lento, que é para não precisar repetir. Mas acabo me embolando, como sempre. Volto a ouvir muita bossa e puxo do meu lado doce, meu menor lado, um pouquinho de conforto para deitar na cama onde um pedaço meu derrama angústias.
Dos meus bolsos despencam ternurinhas, enquanto caminho.
E todas essas palavras desconexas que me desviam. Nenhuma surpresa, nenhuma. Um acúmulo em mim, feito de mil e uma misturas.'
Fabricio Carpinejar
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